Uma vez por mês, sob o céu aberto, os judeus dizem uma bênção sobre a lua. O Talmud dá a razão numa frase atribuída a Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon bar Yochai: quem abençoa a lua nova em seu devido tempo é considerado como se tivesse recebido a Shechiná, a Presença Divina (Sanhedrin 42a). A cerimônia chama-se Kidush Levaná, a santificação da lua.
A bênção
A bênção louva Hashem “que com a Sua palavra criou os céus, e com o sopro de Sua boca todas as suas hostes”. Prossegue dizendo que Ele deu aos corpos celestes uma lei e um tempo fixo, para que não mudassem sua tarefa. As linhas finais descrevem a lua como “uma coroa de beleza para os carregados desde o ventre, que um dia serão renovados como ela”. Na tradição, o ciclo da lua é uma imagem do povo judeu, que diminui no exílio e deve crescer de novo até a plenitude.
É dita de pé, ao ar livre, com a lua à vista, e idealmente depois do fim do Shabat, quando a pessoa ainda está bem vestida (Shulchan Aruch, Orach Chayim 426). As comunidades diferem quanto a quantos dias após a lua nova começar e quando parar, por volta da metade do mês. A bênção é seguida da saudação Shalom aleichem, dita às pessoas próximas.

A lua na Cabalá
Os cabalistas identificam a lua com Malchut (Reinado), a décima das sefirot (atributos Divinos), que carrega a Shechiná e não tem luz própria. Ela recebe do sol, assim como a Shechiná recebe das sefirot acima dela. O minguar e a renovação da lua seguem o mesmo padrão do exílio da Shechiná, tratado em A Shechiná no Exílio. O ciclo mensal é também o tema de Rosh Chodesh and the New Moon (em inglês).
Quando a bênção é dita no sábado à noite, ela vem depois da Havdalá, de modo que o primeiro ato da semana é uma bênção sobre algo que vai crescer.